Dorothy Annie

We all need love, money, drinks and food.

Algo que você quer muito viver, alguém de quem você gosta muito e a eterna impossibilidade de unir as duas coisas.

Parece um drama adolescente, mas é só a insônia falando. É só a cabeça pensando que a semana foi complicada de enfrentar, que nunca param de surgir problemas, o coração tá magoado e de vez em quando é bom ter alguém pra te dar um chá e um peito onde deitar.

Tem também um pouco daquela mania de ficar pensando no que foi e naquilo que poderia ser. Um pouco de esquecer que você fez uma escolha e que toda sua vida é feita delas. Precisa aceitar.

Precisa cuspir o nó da garganta e seguir em frente. Ir construindo, realizando, sonhando. Uma hora o que falta vai completar e dar lugar para um novo vazio.

Uma hora os problemas mudam e os vazios também. Esse é só mais um vazio que daqui a pouco o sono vai preencher.

Um dia eu vou casar ao som de Beatles

Ainda vou achar a pessoa que vai me esperar no altar enquanto toca “In My Life” para os convidados.

Não, não estou à procura da pessoa, nem precisando do sentimento para alimentar minha auto estima que pode estar ferida. Mas eu tenho esse sonho. Acho que todo mundo pode um dia encontrar um amor que mereça te esperar no altar ao som dos Beatles.

Ainda vou casar ao ar livre. Na areia, no campo. Não sei. Mas eu espero o amor pra quem eu vou dedicar “In My Life”.

E eu vou ser pra ela tudo que ela for pra mim, tanto que ela vai querer dedicar Beatles pra mim também.

Um convite pra se encontrar (comigo).

Dizem que a mente aberta atrai exatamente aquilo que ela transmite. Eu não sei.

Faz um tempo - e eu poderia dizer quanto se soasse agradável - que não me encaixo em lugar algum. No auge dos meus vinte e poucos anos sofro as ardências da metáfora do peixe fora d’agua.

Pode ser porque já encontrei o ponto de conforto um dia e me forcei a sair dele. Pode ser porque não existe mais ninguém que me deixe tão a vontade. Pode ser que eu tenha esquecido como é ser o que as pessoas esperam.

Nunca gostei de ser o que as pessoas esperam. Meu caráter e minha conduta se moldaram muito além das raízes familiares, quem eu sou conta muito mais sobre as histórias que vivi do que qualquer palavra poderia fazer.

Todo mundo muda, mas minha essência não consegue se transformar. Não quero seguir um padrão, agradar por conta de um esteriótipo. Quem gostar de mim, vai ter que gostar de mim pela gordurinha a mais que existe dentro do meu jeans e do meu cabelo curto. Vão ter que gostar de mim por causa das minhas sapatilhas e das camisetas não tão justas e decotadas. 

Quem gostar de mim, vai ter que gostar de mim junto com toda minha neurose. Vai ter que gostar do meu profissional irritadiço e perfeccionista que se esbarra, em todo dia de sol, com uma vontade imensa de se livrar do sistema e viver na beira da estrada com uma canon na mochila.

Não quero que gostem do meu vestido verde mais do que da minha inteligência. Nem que se interessem pelo meu corpo que fica diferente quando uso salto. Preciso que gostem da minha companhia quanto estou de shorts e all star.

Vem aqui. Senta do meu lado nessa grama molhada e olha o céu comigo. Deixa eu perder o filtro do seu lado e me conhece de verdade.

Se encontra comigo, porque eu preciso de alguém que não ligue para meu lado de fora, nem pro rímel borrado no fim da noite.

Sai comigo. Sente o gosto desse cigarro, da cerveja gelada, aproveita o vento suave da noite na pele e deixa seus medos em casa. 

Quero conhecer gente que pule o muro, que machuque a pele. Que tenha convicções, que faça o bem. Que sorria com sinceridade, que não ligue para aparência. Que saiba que dinheiro é necessário, mas que não é tudo. Que goste do toque do sol no rosto, do cheiro da grama. Que faça bagunça, que seja a bagunça.

Vem comigo, marquei um encontro com a autenticidade. 


 

Lsd

Queria tirar de mim essa necessidade ridícula e quase infantil de saber como você está, todos os dias.

Não sei se o amor faz isso com as pessoas, mas comigo fez; Instalou um vício mental e físico de você, sentir sua falta me dá dor de estômago. Muito mais do que stress, minha gastrite virou sintoma de saudade.

Tô precisando dropar você. Saciar um pouco da abstinência do seu carinho, daqueles dias em que eu e você nos bastavamos.

Porque eu não sou mais suficiente?
Te ofereço um quarto de mim, se te saciar. Mas de você, eu queria o quadrado inteiro.

Você acha que ele era especial, mas não era. Porque você está só lembrando das coisas boas e da próxima vez que você olhar para trás, deveria olhar direito.

500 days of summer (via justmisdirected)

(Source: auroriar, via qualquercoisaagora)

Dizer que a vida é feita de escolhas e que, por consequência, temos total controle sobre ela, é a definição mais rasa que se pode dar sobre o que é viver.

Quantas vezes nosso caminho não é diretamente afetado pela escolha do outro? Pela escolha do outro de entrar e sair da sua vida, de deixar um pedaço de si ou levar um pedaço de ti? A vida não se leva sozinho.

Se me perguntassem um tempo atrás, eu diria que isso é um romantismo incurável daqueles longas sessão da tarde, que lavam a mente e nos fazem acreditar que a forma mais piegas e sofrível de viver a dois é a certa. Hoje eu acho que sofrer por amor é a continuação dos joelhos ralados da infância, pela sua escolha de correr sem olhar para frente ou do outro em te empurrar de cima do balanço.

Quem acha que viver sozinho é possível, assume pra si uma culpa totalmente razoável de ser dividida com o próximo: a culpa de não ter dado certo.

Nessa noite eu culpo cada um dos meus ex amores e quase amores por essa confissão de que divido minha vida demais e perco o controle dela muitas vezes. É também culpa de todos que resolveram entrar e sair do meu caminho essa reflexão de edredon que poderia não existir, se nunca tivesse ralado o joelho antes.

Meu coracao no primeiro vagao do trem numero 633

Meu coração no primeiro vagão do tem número 633

Passei por você sem acreditar que Deus poderia fazer uma barba tão bonita. Você pareceu distraído conversando com o amigo, procurando um lugar pra ficar no meio daquelas pessoas ou decidindo qual sentido do trem tomar. Não. Não podia estar olhar pra mim.

Continuei caminhando para o lugar onde pego o trem todos os dias. O primeiro vagão, a primeira porta. Sou pequena e prefiro evitar a aglomeração que se forma no começo do túnel da transferência da linha verde para a amarela. Apesar de que, naquele dia, as cores e o caminho e  livro que eu segurava não fizeram diferença: tudo tinha a cor meio ferrugem da sua barba. 

Não entendi porque, ao olhar pra trás, seu amigo sorriu enquanto andava na minha direção. Fiquei sem saber como agir quando seu braço encostou no meu, porque você escolheu justo o cantinho ao meu lado pra ficar.

Tirei o livro da bolsa e enfiei minha cara numa página qualquer, na esperança de me concentrar em alguma outra coisa que não fosse a sua roupa encostando na minha. Não funcionou.

Era um exemplar novinho de “Bonequinha de Luxo”, adquirido naquela loja da Fnac na Avenida Paulista onde nós nunca iremos procurar títulos juntos. Ouvi você falar da Audrey. Certamente estava tentando chamar minha atenção. Não acreditei. 

O trem parou. As portas abriram. Na movimentação de gente antiga saindo e gente nova entrando (no trem, e não na vida) eu não quis sair de perto de você. Ainda consegui dar um jeito da gente continuar se tocando, se sentindo pelo curto caminho de 4 estações. 

O trem parou. Torci pra poder olhar pra sua barba mais um pouco, mas não consegui me virar antes de sair. O trem fechou as portas e você seguiu, com meu coração parado no lugar onde estava. 

Te procuro todos os dias na mesma estação, no mesmo lugar. Um dia te vejo, tenho fé, pra pegar o meu coração de volta.

Vou ali.

Tô indo ali. Me amar.
Vou ali me cuidar, gastar comigo, ficar em paz, ficar linda, ficar feliz, ficar eu.

Tô indo ali.
Onde não preciso ter vergonha, onde posso ter opinião, onde quando eu digo sim é sim e não… É não.
Onde eu sou dona do meu nariz e da minha consciência. Onde sou luz e alegria, um dia ensolarado, uma noite de lua cheia.

Não volto, não.
Fico aqui onde eu não preciso de aprovação. Não preciso que você me elogie, nem que me ajude e nem que me diga nada, quem diz sou eu.

Fico aqui com a minha paz e com a saudade, mas, principalmente escolhi ficar com o que é de verdade.

Voce, no retrovisor.

Se todos os dias trazem pra nós novas oportunidades, prontinhas para ser agarradas e transformadas em algo maior, ou mais bonito ou mais intenso, queria entender porque, de alguma forma, não consigo enxergá—las.
É como no ensaio sobre a cegueira, de Saramago: a gente precisa perder a visão pra aprender a enxergar. É, não é? Eu acho.

Faço um esforço diário pra reconhecer novos caminhos e então seguir por eles. Continuar no meu rumo, mas disposta a novas curvas, porque a gente parou naquela curva em que as coisas deram errado e vive tentando voltar ao ponto de partida sem entender que o problema não é a curva e não é a gente, o problema é querer fazer a curva juntos e só ter espaço pra um passar de cada vez.
É isso. Por isso que eu quero que algo extraordinário me aconteça, mude minha cabeça e meu jeito de ver a vida. Viver a vida e te enxergar somente pelo retrovisor me dá um embaraço de despedida que eu não gosto de sentir. Preferia seguir em frente, tomar logo outra estrada, sem nada no retrovisor e muita curva nova pra fazer.

Buraco.

Tinha me esquecido que ainda tenho um canto pra correr.

Quando as coisas me dão medo ou quando não fazem sentido, corro para escrever. Escrever aqui é melhor do que escrever para pessoas. Tem coisas que é melhor deixar sem resposta.
Foram anos buscando entender porque mudou, mudei. Porque aquilo que um dia me fez livre, em tão pouco tempo me acorrentou num escuro tão difícil de sair.
É como a menina num filme de terror. Foram anos lutando pelo vazio desse escuro.
Tantos outros anos de memórias deletadas, de palavras que diziam tanto pra mim e eu tive vergonha. Porque? Por quem?
Hoje escrevo “sem dizer quem sou”, talvez  tenha aprendido da pior forma possível que confiar em todas as pessoas é um erro. Meus segredos ditos em voz alta aqui, de alguma forma vão ser sempre meus, sem que me peçam para ter vergonha.
Que hoje, amanhã e todos os dias sejam o marco do renascimento daquela que eu gosto de ser. Das palavras que amo dizer e daquela vida que eu perdi, mas gostava tanto de viver.
Porque apesar do escuro, eu ainda tenho esse canto pra correr. 
[Pela liberdade de ser, dizer e viver quem eu sou. De hoje em diante e pra sempre.]