Dorothy Annie

We all need love, money, drinks and food.

Lsd

Queria tirar de mim essa necessidade ridícula e quase infantil de saber como você está, todos os dias.

Não sei se o amor faz isso com as pessoas, mas comigo fez; Instalou um vício mental e físico de você, sentir sua falta me dá dor de estômago. Muito mais do que stress, minha gastrite virou sintoma de saudade.

Tô precisando dropar você. Saciar um pouco da abstinência do seu carinho, daqueles dias em que eu e você nos bastavamos.

Porque eu não sou mais suficiente?
Te ofereço um quarto de mim, se te saciar. Mas de você, eu queria o quadrado inteiro.

Você acha que ele era especial, mas não era. Porque você está só lembrando das coisas boas e da próxima vez que você olhar para trás, deveria olhar direito.

500 days of summer (via justmisdirected)

(Source: snowlk, via prazermoleskine)

Dizer que a vida é feita de escolhas e que, por consequência, temos total controle sobre ela, é a definição mais rasa que se pode dar sobre o que é viver.

Quantas vezes nosso caminho não é diretamente afetado pela escolha do outro? Pela escolha do outro de entrar e sair da sua vida, de deixar um pedaço de si ou levar um pedaço de ti? A vida não se leva sozinho.

Se me perguntassem um tempo atrás, eu diria que isso é um romantismo incurável daqueles longas sessão da tarde, que lavam a mente e nos fazem acreditar que a forma mais piegas e sofrível de viver a dois é a certa. Hoje eu acho que sofrer por amor é a continuação dos joelhos ralados da infância, pela sua escolha de correr sem olhar para frente ou do outro em te empurrar de cima do balanço.

Quem acha que viver sozinho é possível, assume pra si uma culpa totalmente razoável de ser dividida com o próximo: a culpa de não ter dado certo.

Nessa noite eu culpo cada um dos meus ex amores e quase amores por essa confissão de que divido minha vida demais e perco o controle dela muitas vezes. É também culpa de todos que resolveram entrar e sair do meu caminho essa reflexão de edredon que poderia não existir, se nunca tivesse ralado o joelho antes.

Meu coracao no primeiro vagao do trem numero 633

Meu coração no primeiro vagão do tem número 633

Passei por você sem acreditar que Deus poderia fazer uma barba tão bonita. Você pareceu distraído conversando com o amigo, procurando um lugar pra ficar no meio daquelas pessoas ou decidindo qual sentido do trem tomar. Não. Não podia estar olhar pra mim.

Continuei caminhando para o lugar onde pego o trem todos os dias. O primeiro vagão, a primeira porta. Sou pequena e prefiro evitar a aglomeração que se forma no começo do túnel da transferência da linha verde para a amarela. Apesar de que, naquele dia, as cores e o caminho e  livro que eu segurava não fizeram diferença: tudo tinha a cor meio ferrugem da sua barba. 

Não entendi porque, ao olhar pra trás, seu amigo sorriu enquanto andava na minha direção. Fiquei sem saber como agir quando seu braço encostou no meu, porque você escolheu justo o cantinho ao meu lado pra ficar.

Tirei o livro da bolsa e enfiei minha cara numa página qualquer, na esperança de me concentrar em alguma outra coisa que não fosse a sua roupa encostando na minha. Não funcionou.

Era um exemplar novinho de “Bonequinha de Luxo”, adquirido naquela loja da Fnac na Avenida Paulista onde nós nunca iremos procurar títulos juntos. Ouvi você falar da Audrey. Certamente estava tentando chamar minha atenção. Não acreditei. 

O trem parou. As portas abriram. Na movimentação de gente antiga saindo e gente nova entrando (no trem, e não na vida) eu não quis sair de perto de você. Ainda consegui dar um jeito da gente continuar se tocando, se sentindo pelo curto caminho de 4 estações. 

O trem parou. Torci pra poder olhar pra sua barba mais um pouco, mas não consegui me virar antes de sair. O trem fechou as portas e você seguiu, com meu coração parado no lugar onde estava. 

Te procuro todos os dias na mesma estação, no mesmo lugar. Um dia te vejo, tenho fé, pra pegar o meu coração de volta.

Vou ali.

Tô indo ali. Me amar.
Vou ali me cuidar, gastar comigo, ficar em paz, ficar linda, ficar feliz, ficar eu.

Tô indo ali.
Onde não preciso ter vergonha, onde posso ter opinião, onde quando eu digo sim é sim e não… É não.
Onde eu sou dona do meu nariz e da minha consciência. Onde sou luz e alegria, um dia ensolarado, uma noite de lua cheia.

Não volto, não.
Fico aqui onde eu não preciso de aprovação. Não preciso que você me elogie, nem que me ajude e nem que me diga nada, quem diz sou eu.

Fico aqui com a minha paz e com a saudade, mas, principalmente escolhi ficar com o que é de verdade.

Voce, no retrovisor.

Se todos os dias trazem pra nós novas oportunidades, prontinhas para ser agarradas e transformadas em algo maior, ou mais bonito ou mais intenso, queria entender porque, de alguma forma, não consigo enxergá—las.
É como no ensaio sobre a cegueira, de Saramago: a gente precisa perder a visão pra aprender a enxergar. É, não é? Eu acho.

Faço um esforço diário pra reconhecer novos caminhos e então seguir por eles. Continuar no meu rumo, mas disposta a novas curvas, porque a gente parou naquela curva em que as coisas deram errado e vive tentando voltar ao ponto de partida sem entender que o problema não é a curva e não é a gente, o problema é querer fazer a curva juntos e só ter espaço pra um passar de cada vez.
É isso. Por isso que eu quero que algo extraordinário me aconteça, mude minha cabeça e meu jeito de ver a vida. Viver a vida e te enxergar somente pelo retrovisor me dá um embaraço de despedida que eu não gosto de sentir. Preferia seguir em frente, tomar logo outra estrada, sem nada no retrovisor e muita curva nova pra fazer.

Buraco.

Tinha me esquecido que ainda tenho um canto pra correr.

Quando as coisas me dão medo ou quando não fazem sentido, corro para escrever. Escrever aqui é melhor do que escrever para pessoas. Tem coisas que é melhor deixar sem resposta.
Foram anos buscando entender porque mudou, mudei. Porque aquilo que um dia me fez livre, em tão pouco tempo me acorrentou num escuro tão difícil de sair.
É como a menina num filme de terror. Foram anos lutando pelo vazio desse escuro.
Tantos outros anos de memórias deletadas, de palavras que diziam tanto pra mim e eu tive vergonha. Porque? Por quem?
Hoje escrevo “sem dizer quem sou”, talvez  tenha aprendido da pior forma possível que confiar em todas as pessoas é um erro. Meus segredos ditos em voz alta aqui, de alguma forma vão ser sempre meus, sem que me peçam para ter vergonha.
Que hoje, amanhã e todos os dias sejam o marco do renascimento daquela que eu gosto de ser. Das palavras que amo dizer e daquela vida que eu perdi, mas gostava tanto de viver.
Porque apesar do escuro, eu ainda tenho esse canto pra correr. 
[Pela liberdade de ser, dizer e viver quem eu sou. De hoje em diante e pra sempre.]

Sonhos em cor.

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Se não tiver sonhos, pra quê?

Tenho sonhado muito mais quando estou acordada do que quando estou dormindo e, ultimamente, parece que cada noite sem sonho são horas da vida que ficam para trás, sem sentido.

Não sonhar é passar uma parte da vida no escuro, no quarto e na mente. Se fica sem cor, pra quê?

Quero exercitar o colorido da vida acordada, assim o tempo perdido é menor.

Pouco me importo se às vezes o que vem é pesadelo,  vale que tenha cor e até mesmo o cinza me satisfaz mais que o preto.

Que haja movimento.
Porque hoje, amor, tive uma noite sem sonhos mas acordei com muita vontade de viver! 
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foto/www.imagensdeposito.com 

Manifesto pelo direito ao romance

Manifesto pelo direito ao romance

Quero pedir para que me deixem ser romântica. E que deixem os românticos do mundo assim serem, se for da vontade de cada um.

É um pedido bem sincero que faço porque me custa entender esse tsumani de solteiros convictos que encharcou a sociedade nos últimos tempos. Dentro de cada um ainda tem que existir um desejo de conchinha em noite chuvosa, daquele cineminha a dois ou de fazer um domingo menos entediante, mas que não seja a base de cerveja e abadá.

Romantismo virou item de colecionador, raridade daquelas que você tem que pagar caro pra ter, sabe? Isso porque dentro de todo solteiro convicto tem um romântico esperando a pessoa certa chegar, mas que se afasta cada vez mais da felicidade com dois, já que “o amor não vale a pena” e vai lá saber porque agora as pessoas também não valem mais.

Amor virou tabu. Falar de sexo é permitido, mas pra falar de amor é preciso ter cuidado. 
Parece obrigatório que todos coloquem seus egos, profissões e bundas à frente de um romance. Os solteiros estão empatando a vida de quem quer ficar juntinho, só porque acham que mulher/homem nenhum vale o sacrifício de uma noitada, já que ninguém é perfeito.

E há quem diga que os românticos estão ultrapassados. Eu acho que os românticos são corajosos. Porque quem é romântico tem peito e cara para enfrentar os defeitos do outro por algo grande, bonito. Já os solteiros, se acovardam em convicções que pensam eles justificar a solidão, aquela frase de rede social de que a gente tem que ser feliz sozinho antes de qualquer coisa.

Me perdoem os egoístas, mas vou sempre achar que ser feliz um + um é mais gostoso.

Menos covardia e mais amor, por favor. 

Se parar pra pensar: E muito Facil esquecer.

Se parar pra pensar: é muito fácil esquecer.

Na vida da gente, um número infinito de pessoas caminha ao nosso lado todos os dias. Não necessariamente para o mesmo destino, nem necessariamente com a gente, mas ao nosso lado passa uma imensidão de vultos vivos aos quais não damos atenção, até que um ou dois se destacam.
Nós escolhemos amigos e amores para a vida inteira e, dito isso, me pego a pensar: a vida inteira não é tempo demais?
Já tive melhores amigos que hoje não me fazem a menor falta e já chorei por amores que não sei nem se estão vivos. Na hora parecia difícil, mas pensando na imensidão da minha vida, esquecê-los foi uma tarefa bem pequena.
Grande mesmo é ficar de bem comigo todos os dias. Acordar, me olhar no espelho e não apontar um defeito - seja na roupa, seja no corpo, seja na alma. Grande, gigante de verdade, é andar na contramão.
Pessoas? Veja bem, tenho um número satisfatórios de pessoas grandes o suficiente na minha vida. Aqueles tais amigos para sempre, que por enquanto ainda são amigos. 
Mas eu tenho um número muito maior de pessoas que se foram e, com elas, as promessas de amor eterno, de cumplicidade ou simplesmente de um lugar legal no sábado a noite. 
Cada amor e cada amigo que foi embora levou também um pedacinho do meu futuro. As tais promessas quebradas são possibilidades que não se concretizaram. Difícil não é esquecer ou superar amores e pessoas que se foram… Difícil é se conformar com as escolhas que nos afastaram e as chances que perdemos.
Mas repito, grande de verdade é conseguir ver que a cada pedacinho do seu muro que cai, o horizonte lá na frente fica um pouco mais visível.
O único tijolo que cai é aquele que não se encaixa no seu futuro. E ele, lá na frente, não vai fazer a menor diferença.