Se parar pra pensar: é muito fácil esquecer.
Na vida da gente, um número infinito de pessoas caminha ao nosso lado todos os dias. Não necessariamente para o mesmo destino, nem necessariamente com a gente, mas ao nosso lado passa uma imensidão de vultos vivos aos quais não damos atenção, até que um ou dois se destacam.
Nós escolhemos amigos e amores para a vida inteira e, dito isso, me pego a pensar: a vida inteira não é tempo demais?
Já tive melhores amigos que hoje não me fazem a menor falta e já chorei por amores que não sei nem se estão vivos. Na hora parecia difícil, mas pensando na imensidão da minha vida, esquecê-los foi uma tarefa bem pequena.
Grande mesmo é ficar de bem comigo todos os dias. Acordar, me olhar no espelho e não apontar um defeito - seja na roupa, seja no corpo, seja na alma. Grande, gigante de verdade, é andar na contramão.
Pessoas? Veja bem, tenho um número satisfatórios de pessoas grandes o suficiente na minha vida. Aqueles tais amigos para sempre, que por enquanto ainda são amigos.
Mas eu tenho um número muito maior de pessoas que se foram e, com elas, as promessas de amor eterno, de cumplicidade ou simplesmente de um lugar legal no sábado a noite.
Cada amor e cada amigo que foi embora levou também um pedacinho do meu futuro. As tais promessas quebradas são possibilidades que não se concretizaram. Difícil não é esquecer ou superar amores e pessoas que se foram… Difícil é se conformar com as escolhas que nos afastaram e as chances que perdemos.
Mas repito, grande de verdade é conseguir ver que a cada pedacinho do seu muro que cai, o horizonte lá na frente fica um pouco mais visível.
O único tijolo que cai é aquele que não se encaixa no seu futuro. E ele, lá na frente, não vai fazer a menor diferença.